quinta-feira, 29 de novembro de 2018
O valor do resgate
Deus é soberano! Desconfio, inclusive, que essa é a frase que mais pronunciei nos últimos meses. Ano de eleições, sabe como é. Houve um tempo, no entanto, em que o reconhecimento dessa absoluta verdade se tornou um desejo frustrado; uma busca sincera atraída pelo amor, porém, naufragada em um mar de heresias incompatíveis com os meus anseios, que me arrastaram à miserável condição de uma pseudoateísta. Longos e confusos anos!
Foram inúmeros os momentos de alegria nesse período, por certo, com aprendizados inestimáveis. Gratidão poderia ser um dos meus sobrenomes. Todavia, fugazes como uma centelha que escapa da fogueira, lá se iam os estágios dos contentamentos trazidos pelos prazeres, me revelando, aos poucos, o buraco negro que, paulatinamente, me sugava para o imenso vazio no qual submerge toda alma que peleja sem a vital comunhão com o Criador.
É fato que, na interinidade dos meus vazios existenciais recorrentes – na qual Charles Darwin e sua famigerada Teoria da Evolução se constituíram o frágil apoio da minha falsa descrença –, Deus sempre se revelara a essa tola criatura. E é incrível perceber, agora, que Seus cuidados de antes eram tão amáveis quanto os que, há exatamente dois anos, vivencio sob a Sua maravilhosa Graça Especial, e que me levam a chamá-Lo diuturnamente de Pai. Sim, Deus é paciente!
É claro, tudo tem um começo. Ah, os começos! Mário Quintana foi quem melhor descreveu a beleza contida nas novidades cíclicas dos inícios: “belo truque do calendário”, definiu o "imortal". E, enamorada que sou das novidades, confesso que não me canso de ouvir os relatos daqueles que foram chamados das trevas para a maravilhosa luz de Cristo. Como é bom viver essa linda verdade, que ganha uma conotação visceral nos ensinos do impetuoso apóstolo Pedro.
Maior, contudo, do que o prazer de ouvir os testemunhos alheios é a satisfação que sinto em relatar o processo de minha própria conversão. Sempre um evangelismo contundente, o Senhor tem me ensinado. Mudança de planos, de rumos e de sonhos. Eu era cega e, agora, vejo. Literalmente!
“Se não vem pelo amor, vem pela dor.”, dizem. Ouso discordar dessa famosa frase que tanto me desafiou nos idos da minha incredulidade. E sob a licença divina de poder avaliar tudo pela ótica do sacrifício de Cristo, penso: "É sempre pelo Seu maravilhoso amor!". Pois seja na sarjeta dos vícios, no purgatório dos relacionamentos malfadados, na pobreza dos bolsos falidos ou no desfalecimento de uma doença incurável, somente um coração quebrantado pela vontade soberana do Todo-Poderoso é que se dobram os joelhos soberbos; rendidos pela única coisa que pode saciar uma alma que sente fome: o sublime e inefável amor de Deus.
Definitivamente, a Graça é irresistível. E, vai por mim, nem é preciso compreendê-la, em sua plenitude, para se perceber que o chamado efetivo do Rei é irrecusável. Para os mais relutantes em aceitar esse preceito, todavia, aconselho um pouco mais de perseverança, fé e boa vontade, para que encontrem o prometido descanso na soberania do Senhor e se rendam ao fato de que muito do que Ele nos relevou em sua Palavra não é completamente inteligível ao nosso limitado entendimento. Muitas vezes as vistas embaçam. Faz parte. Mas lembre-se de que a iluminação também nos é concedida pela Graça soberana.
E é por isso que, justificada, sigo leve e exultante, pela fé, o honorável exemplo do apóstolo Paulo que, ao avaliar a grandiosidade das revelações que recebera, simplesmente, adorou: “Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?”. Inspirável, não? Busquemos igual fidelidade.
Voltando ao pontapé da minha fé, aquela que realmente salva, quando percebi que se aproximava a minha hora de crer, não pude relutar. Nem mesmo esbocei leve resistência, o que, de cara, concebi que seria um ledo esforço. Até porque, meu coração, afogado nas lágrimas da saudade, só encontrava fôlego rendendo-se aos impulsos, cada vez mais incontroláveis, de amar. Deus me chamava!
Arrancada, finalmente, de sofismas humanistas e soluções científicas detalhadamente esquematizadas, percebi, depois de uma longa e insolente espera, que podia, enfim, entregar meu pesadíssimo fardo nas mãos do único que, acredite, pode e geralmente faz infinitamente mais do que aquilo que pedimos ou pensamos; inclusive em relação ao que não queremos, já que, para o nosso bem, Sua sabedoria é onisciente.
Vou me permitir, desta vez, cometer os desprezíveis deslizes literários dos clichês, por ser esse o primeiro relato do meu espírito agora livre, mas que, outrora, se alimentava das migalhas lançadas pelos vis enganos. Muitas vezes, é bem verdade, seguia ele os dias como o pássaro de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: sou poeta”. Lamentável, não?
Sim, Deus é soberano! Inclusive e, sobretudo, nas adversidades. E, na maioria das vezes, é quando estamos ali, encolhidos no redemoinho das nossas elucubrações, e a boca não grita socorro porque a alma não sabe a quem e como pedir, e nos deparamos com a realidade de que a soma de todos os débeis sofismas da nossa razão se revelam menos do que nada, que somos levados a ouvir a doce e inconfundível voz do Salvador. Ele sabe o que faz!
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Ah, Jesus e o apóstolo João, o do amor! Regozijo-me; porque só quem já esteve à deriva é capaz de reconhecer o inestimável valor do resgate.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Celebrando a vida
Há tempos, dizem os sábios que, nessa vida, só conseguimos colher aquilo que plantamos. Pensamento que, automaticamente, nos remete à convicção de que cada um tem sempre aquilo que merece. Bem, é claro que nenhuma verdade é tão plena a ponto de não poder ser refutada, ainda que em pouquíssimos pontos, por argumentos igualmente críveis. Contudo, confesso que não apenas concordo com essas pérolas de sabedoria como as entoo diariamente.
Desde que me entendo por gente, tenho lidado quase que ininterruptamente com meus paradoxos interiores. O que particularmente não deveria me causar qualquer espanto, já que toda a constituição de meu caráter é forjada por traços aparentemente díspares. Sorte que, há tempos, não apenas aprendi a conviver com tais antíteses como, de quebra, creio piamente que eis aí o que me torna uma das peças ímpares dessa sociedade cada vez mais embriagada pelo equívoco de que tudo e todos devem ser exatamente iguais.
Pois que, todas as diferenças estabelecidas entre sentimentos e vontades me trouxeram a este exato momento, no qual me encontro plenamente feliz. Fato importante a ser mencionado aqui é o de que, certamente, ainda não realizei todos os meus sonhos e desejos, o que, para muitos, seria o único motivo para que alguém se encontre em tal estado de espírito. Na verdade, ainda há muitas conquistas a serem colhidas, ao longo dos tortuosos e imprevisíveis caminhos pelos quais tenho seguido meu destino.
No decorrer dessa jornada, muitas lágrimas foram derramadas, de alegria e de tristeza, mas incontáveis sorrisos esboçaram o imenso amor que sinto pela vida; esta que tem me proporcionado momentos inesquecíveis. E é a partir daqui que esse texto começa realmente dizer a que veio.
Este ano surgiu para mim como que de um passe de mágica. E quando falo em magia, refiro-me a essa força misteriosa que, seja pela atuação da física e da química, ou por algo ainda mais sui generis, faz com que coisas fascinantes nos aconteçam a todo tempo, muitas vezes nos levando a crer que o universo é constituído sim, em sua plenitude, do poder de “conspirar” a nosso favor, quando, claro, desejamos algo com muita força de vontade.
Há anos repito que, de alguma forma, tudo o que desejo baseado pelo que nasce em meu coração, sempre se torna real. Há conquistas, inclusive, que de tão demoradas, quando surgem, me surpreendem por não serem mais aguardados com demasiado anseio, ainda que tragam a mesma gama de importância. Outras vêm assim, rápidas e inesperadas, como as paixões.
Todas essas as glórias, à medida que se materializam, me lembram, constantemente, de que sonhar sempre será muito importante, até para que eu nunca me esqueça de que a realização de um sonho é muito, muito melhor do que os doces momentos nos quais me ponho a idealizá-los.
Incrível, por certo, é quando muitos de nossos desejos se concretizam assim, todos de uma vez, como naqueles sonhos em que nos vemos repletos de encanto e beleza; onde tudo é bucólico e parece ter sido criado particularmente pelos desígnios de Morfeu. E é nesse cenário que o ano de 2012 tem desabrochado para mim, desde seus primeiros minutos. Cada um dos dias até aqui vividos têm me convidado pelas manhãs que avisto de minha janela com ares de um jardim de possibilidades.
Hoje, especialmente, minha paradoxal personalidade encontra-se de mãos dadas com o tão almejado equilíbrio estabelecido entre a seara de minhas emoções e as ideias que povoam minha mente. A razão, mais do que nunca, se mostra amiga dos sentimentos e ambos brincam como crianças, nesse indelével parque de diversões que tem se constituído minha vida.
O melhor é que, nesse cenário quase onírico, não há uma falsa ausência de problemas, já que eles, vez ou outra, surgem para dar à minha existência o necessário tom de realidade. E é aí onde reside a grande vantagem de estar em paz consigo e com a humanidade, pois, nesses momentos, a alegria de viver não serve apenas para vermos tudo com olhos benevolentes, mas para focarmos sempre na busca da solução para os percalços que insistem em surgir em nossos caminhos.
E é por tudo isso que, ao entrar no terceiro mês deste ano que, inclusive, é o período no qual celebro a data de meu nascimento, compartilho essa reflexão com aqueles conseguiram trazer essa leitura até os últimos parágrafos deste despretensioso e honesto texto. E ciente, no entanto, de que ainda restam 298 dias para que 2012 entre na lista dos melhores anos de minha vida, ouso festejar diariamente as inúmeras realizações que colhi até aqui.
No dia 23 de março, e nos posteriores, farei uma comemoração interior mais que especial, na qual celebrarei mais do que meus 36 anos de vida. Festejarei com aqueles que amo meus paradoxos e incongruências, que em meio a muitos contratempos e dissabores, têm me permitido sentir verdadeira e plenamente cada fato e pessoa que, direta ou indiretamente, me ajudaram a estar vivendo esta que é, certamente, a melhor fase de minha vida.
Desde que me entendo por gente, tenho lidado quase que ininterruptamente com meus paradoxos interiores. O que particularmente não deveria me causar qualquer espanto, já que toda a constituição de meu caráter é forjada por traços aparentemente díspares. Sorte que, há tempos, não apenas aprendi a conviver com tais antíteses como, de quebra, creio piamente que eis aí o que me torna uma das peças ímpares dessa sociedade cada vez mais embriagada pelo equívoco de que tudo e todos devem ser exatamente iguais.
Pois que, todas as diferenças estabelecidas entre sentimentos e vontades me trouxeram a este exato momento, no qual me encontro plenamente feliz. Fato importante a ser mencionado aqui é o de que, certamente, ainda não realizei todos os meus sonhos e desejos, o que, para muitos, seria o único motivo para que alguém se encontre em tal estado de espírito. Na verdade, ainda há muitas conquistas a serem colhidas, ao longo dos tortuosos e imprevisíveis caminhos pelos quais tenho seguido meu destino.
No decorrer dessa jornada, muitas lágrimas foram derramadas, de alegria e de tristeza, mas incontáveis sorrisos esboçaram o imenso amor que sinto pela vida; esta que tem me proporcionado momentos inesquecíveis. E é a partir daqui que esse texto começa realmente dizer a que veio.
Este ano surgiu para mim como que de um passe de mágica. E quando falo em magia, refiro-me a essa força misteriosa que, seja pela atuação da física e da química, ou por algo ainda mais sui generis, faz com que coisas fascinantes nos aconteçam a todo tempo, muitas vezes nos levando a crer que o universo é constituído sim, em sua plenitude, do poder de “conspirar” a nosso favor, quando, claro, desejamos algo com muita força de vontade.
Há anos repito que, de alguma forma, tudo o que desejo baseado pelo que nasce em meu coração, sempre se torna real. Há conquistas, inclusive, que de tão demoradas, quando surgem, me surpreendem por não serem mais aguardados com demasiado anseio, ainda que tragam a mesma gama de importância. Outras vêm assim, rápidas e inesperadas, como as paixões.
Todas essas as glórias, à medida que se materializam, me lembram, constantemente, de que sonhar sempre será muito importante, até para que eu nunca me esqueça de que a realização de um sonho é muito, muito melhor do que os doces momentos nos quais me ponho a idealizá-los.
Incrível, por certo, é quando muitos de nossos desejos se concretizam assim, todos de uma vez, como naqueles sonhos em que nos vemos repletos de encanto e beleza; onde tudo é bucólico e parece ter sido criado particularmente pelos desígnios de Morfeu. E é nesse cenário que o ano de 2012 tem desabrochado para mim, desde seus primeiros minutos. Cada um dos dias até aqui vividos têm me convidado pelas manhãs que avisto de minha janela com ares de um jardim de possibilidades.
Hoje, especialmente, minha paradoxal personalidade encontra-se de mãos dadas com o tão almejado equilíbrio estabelecido entre a seara de minhas emoções e as ideias que povoam minha mente. A razão, mais do que nunca, se mostra amiga dos sentimentos e ambos brincam como crianças, nesse indelével parque de diversões que tem se constituído minha vida.
O melhor é que, nesse cenário quase onírico, não há uma falsa ausência de problemas, já que eles, vez ou outra, surgem para dar à minha existência o necessário tom de realidade. E é aí onde reside a grande vantagem de estar em paz consigo e com a humanidade, pois, nesses momentos, a alegria de viver não serve apenas para vermos tudo com olhos benevolentes, mas para focarmos sempre na busca da solução para os percalços que insistem em surgir em nossos caminhos.
E é por tudo isso que, ao entrar no terceiro mês deste ano que, inclusive, é o período no qual celebro a data de meu nascimento, compartilho essa reflexão com aqueles conseguiram trazer essa leitura até os últimos parágrafos deste despretensioso e honesto texto. E ciente, no entanto, de que ainda restam 298 dias para que 2012 entre na lista dos melhores anos de minha vida, ouso festejar diariamente as inúmeras realizações que colhi até aqui.
No dia 23 de março, e nos posteriores, farei uma comemoração interior mais que especial, na qual celebrarei mais do que meus 36 anos de vida. Festejarei com aqueles que amo meus paradoxos e incongruências, que em meio a muitos contratempos e dissabores, têm me permitido sentir verdadeira e plenamente cada fato e pessoa que, direta ou indiretamente, me ajudaram a estar vivendo esta que é, certamente, a melhor fase de minha vida.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Feliz Ano Velho
Nos últimos dias do ano, ouço sempre as mesmas frases; todas girando em torno do tão cantado refrão de uma conhecida música: “Que tudo se realize no ano que vai nascer”. Não entendo o porquê dessa ânsia exagerada de desejar que tudo de bom que não aconteceu nos anos anteriores ou ao longo dos doze meses que se findam aconteça, necessariamente, nos próximos 365 dias.
É como se dissessem sempre, ao fim de todo santo ano, que esse que termina não valeu. Que todas as realizações passadas não foram o bastante para se considerar o ano que se vai como, no mínimo, um ano bom. Daí, escuto: “Que tudo seja diferente no novo ano que se aproxima” e fico inconformada.
Nunca – e quando digo nunca é jamais mesmo – entendi bem esse negócio de festejar a chegada de um novo ano, como se o que se finda tivesse sido um acúmulo de frustrações. Na verdade, o sentimento que me toma é o de comemorar o fim de mais um período no qual pude conquistar um monte de coisas, de ter adquirido uma série de experiências que me proporcionaram ser uma pessoa melhor, mais sábia e mais preparada para todos os outros anos que ainda espero viver.
Talvez, para algumas pessoas, esse tempo medido em meses e dias registrem momentos de sua vida a se esquecer, a lamentar. Talvez, para eles, o ano que se finda tenha sido realmente ruim e, por isso, o ano novo lhes surjam sempre como a promessa de algo melhor. Mas toda época da virada é assim: “Adeus ano velho... Feliz ano novo”. Não concordo! E sob risco de perder a admiração de muitos dos amigos que espero que venham a ler essa tola crônica, afirmo que considero isso como algo triste.
À medida que vejo minha inteligência envelhecer e minha sabedoria ficar lá atrás, nos idos da confusa e rica infância, entendo cada vez menos esse lance de depositar todas as expectativas em cima de um único ano. O que, de certa forma, me permite ensaiar uma parca explicação do motivo pelo qual no mês de dezembro sempre se ouvem muxoxos carregados de insatisfações em relação ao ano que termina.
É fato que as células de nosso corpo, a partir de certo momento de nossas vidas, não ganham mais viço. Pelo contrário, seguem uma das leis mais certas já descritas pela nossa ciência, a da gravidade, e nos lembram, a todo o momento, da realidade nua e crua de que todos os seres vivos deste fascinante planeta nascem, crescem, envelhecem, reproduzem e fatalmente morrem. Não nessa ordem, necessariamente.
Contudo, o tempo, essa inteligente invenção humana, criada para medir a escala de nossa existência e controlar as engrenagens que regem a sociedade equivocadamente controlada pelo homem, simplesmente passa. E com ele, todas as experiências que adquirimos ao longo de nossa, às vezes, mísera vida.
Há, por certo, quem morra velho e, no fim, arraste para o seu jazigo uma mente que, à beira da morte, sentiu-se como se não tivesse vivido o suficiente. Também há os que com uma vida efêmera, deixam esse plano no auge de sua juventude e entram para história, mas também são sepultados com um coração vazio. E, por fim, para encurtar os exemplos, já que esse texto não se trata de uma análise completa baseada no estudo do comportamento humano, há os que são felizes. Eis aí meu tipo preferido de gente.
Não é que as pessoas felizes não tenham problemas, ou que acordem todo santo dia regozijando-se por enxergarem um mundo perfeito. Eles sabem que simplesmente estar nesse mundo não é tudo. Que a vida, de acordo como a forma como é vista, pode nos ser muito cruel, vazia ou infinitamente generosa. Porque tudo depende da forma como desempenhamos nosso papel nesse imenso teatro. Trata-se por certo de como decidimos viver.
Creio que essa gente feliz não chega ao fim do ano corrente ávida pela promessa de um recomeço prometido pelo novo período que se aproxima. Creio que, assim como eu, eles veem o primeiro dia de janeiro como uma incrível possibilidade da continuação de um relógio que nunca finda ao fim do décimo segundo período. Pois tudo se trata do milagre da continuidade, e é ao que celebram.
Não sou contra começos ou recomeços, pelo contrário. Bendito seja o novo. Afinal, tudo tem de ter um início, até para que possa ser melhorado, finalizado ou apenas continuado. Mas, definitivamente, o último dia do ano nunca foi para mim uma oportunidade de fazer tudo diferente, de concretizar todas as ações adiadas há anos. Sempre vi no primeiro dia de janeiro o início de um novo período no qual, felizmente, tenho a oportunidade de continuar a fazer o que tenho feito há anos: ser feliz.
Há alguns anos realizei o sonho de me formar em jornalismo. Ao iniciar efetivamente na profissão, em 2008, comecei a estudar a tão sonhada dança do ventre. Em 2010 consegui um emprego massa pra caramba, que me possibilitou, entre outras conquistas, dar vida a este tão desejado blog. E, ao longo de todo esse tempo, conheci pessoas maravilhosas, das quais muitas tenho o privilégio de ser amiga.
Em 2011 espero poder continuar a conquistar meus objetivos, a tocar meus apaixonantes projetos e, quem sabe, concretizar mais alguns dos meus inúmeros anseios.
Dizem alguns sábios que uma das melhores coisas da vida é ter a oportunidade de começar algo novo. Mário Quintana e sua inquestionável obra que perdoem, mas, para mim, a mágica está, justamente, em poder realizar e dar continuidade aos meus sonhos. O que tenho aprendido ao longo de minha humilde existência é que o bom da vida é poder continuar. E é por isso que celebro com muita alegria poder me despedir de mais um rico ano de vida.
É como se dissessem sempre, ao fim de todo santo ano, que esse que termina não valeu. Que todas as realizações passadas não foram o bastante para se considerar o ano que se vai como, no mínimo, um ano bom. Daí, escuto: “Que tudo seja diferente no novo ano que se aproxima” e fico inconformada.
Nunca – e quando digo nunca é jamais mesmo – entendi bem esse negócio de festejar a chegada de um novo ano, como se o que se finda tivesse sido um acúmulo de frustrações. Na verdade, o sentimento que me toma é o de comemorar o fim de mais um período no qual pude conquistar um monte de coisas, de ter adquirido uma série de experiências que me proporcionaram ser uma pessoa melhor, mais sábia e mais preparada para todos os outros anos que ainda espero viver.
Talvez, para algumas pessoas, esse tempo medido em meses e dias registrem momentos de sua vida a se esquecer, a lamentar. Talvez, para eles, o ano que se finda tenha sido realmente ruim e, por isso, o ano novo lhes surjam sempre como a promessa de algo melhor. Mas toda época da virada é assim: “Adeus ano velho... Feliz ano novo”. Não concordo! E sob risco de perder a admiração de muitos dos amigos que espero que venham a ler essa tola crônica, afirmo que considero isso como algo triste.
À medida que vejo minha inteligência envelhecer e minha sabedoria ficar lá atrás, nos idos da confusa e rica infância, entendo cada vez menos esse lance de depositar todas as expectativas em cima de um único ano. O que, de certa forma, me permite ensaiar uma parca explicação do motivo pelo qual no mês de dezembro sempre se ouvem muxoxos carregados de insatisfações em relação ao ano que termina.
É fato que as células de nosso corpo, a partir de certo momento de nossas vidas, não ganham mais viço. Pelo contrário, seguem uma das leis mais certas já descritas pela nossa ciência, a da gravidade, e nos lembram, a todo o momento, da realidade nua e crua de que todos os seres vivos deste fascinante planeta nascem, crescem, envelhecem, reproduzem e fatalmente morrem. Não nessa ordem, necessariamente.
Contudo, o tempo, essa inteligente invenção humana, criada para medir a escala de nossa existência e controlar as engrenagens que regem a sociedade equivocadamente controlada pelo homem, simplesmente passa. E com ele, todas as experiências que adquirimos ao longo de nossa, às vezes, mísera vida.
Há, por certo, quem morra velho e, no fim, arraste para o seu jazigo uma mente que, à beira da morte, sentiu-se como se não tivesse vivido o suficiente. Também há os que com uma vida efêmera, deixam esse plano no auge de sua juventude e entram para história, mas também são sepultados com um coração vazio. E, por fim, para encurtar os exemplos, já que esse texto não se trata de uma análise completa baseada no estudo do comportamento humano, há os que são felizes. Eis aí meu tipo preferido de gente.
Não é que as pessoas felizes não tenham problemas, ou que acordem todo santo dia regozijando-se por enxergarem um mundo perfeito. Eles sabem que simplesmente estar nesse mundo não é tudo. Que a vida, de acordo como a forma como é vista, pode nos ser muito cruel, vazia ou infinitamente generosa. Porque tudo depende da forma como desempenhamos nosso papel nesse imenso teatro. Trata-se por certo de como decidimos viver.
Creio que essa gente feliz não chega ao fim do ano corrente ávida pela promessa de um recomeço prometido pelo novo período que se aproxima. Creio que, assim como eu, eles veem o primeiro dia de janeiro como uma incrível possibilidade da continuação de um relógio que nunca finda ao fim do décimo segundo período. Pois tudo se trata do milagre da continuidade, e é ao que celebram.
Não sou contra começos ou recomeços, pelo contrário. Bendito seja o novo. Afinal, tudo tem de ter um início, até para que possa ser melhorado, finalizado ou apenas continuado. Mas, definitivamente, o último dia do ano nunca foi para mim uma oportunidade de fazer tudo diferente, de concretizar todas as ações adiadas há anos. Sempre vi no primeiro dia de janeiro o início de um novo período no qual, felizmente, tenho a oportunidade de continuar a fazer o que tenho feito há anos: ser feliz.
Há alguns anos realizei o sonho de me formar em jornalismo. Ao iniciar efetivamente na profissão, em 2008, comecei a estudar a tão sonhada dança do ventre. Em 2010 consegui um emprego massa pra caramba, que me possibilitou, entre outras conquistas, dar vida a este tão desejado blog. E, ao longo de todo esse tempo, conheci pessoas maravilhosas, das quais muitas tenho o privilégio de ser amiga.
Em 2011 espero poder continuar a conquistar meus objetivos, a tocar meus apaixonantes projetos e, quem sabe, concretizar mais alguns dos meus inúmeros anseios.
Dizem alguns sábios que uma das melhores coisas da vida é ter a oportunidade de começar algo novo. Mário Quintana e sua inquestionável obra que perdoem, mas, para mim, a mágica está, justamente, em poder realizar e dar continuidade aos meus sonhos. O que tenho aprendido ao longo de minha humilde existência é que o bom da vida é poder continuar. E é por isso que celebro com muita alegria poder me despedir de mais um rico ano de vida.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Conto de fadas
É notório o fato de que as figuras imaginárias das fadas exercem um fascínio muito grande nas mentes femininas, sobretudo quando somos crianças. Na tenra idade da vida, cremos não apenas na possibilidade de sua existência como, de certa forma, na probabilidade de sermos um desses seres capazes de espalhar beleza e alegria pelo mundo, influenciando no destino das pessoas. Queremos voar, viajar, visitar, conhecer, explorar e, em meio a essas aventuras, fascinar, encantar.
Bruxa, fada ou outro ser mitologicamente semelhante representam nosso desejo mais íntimo de poder realizar coisas maravilhosas com um simples toque de uma vara mágica, munidos, é claro, pela inabalável crença no poder do pensamento. Esse desejo nos segue anos a fora e, em muitos casos, só vem a nos abandonar muito tempo depois da certeza de que Coelhinho da Páscoa e Papai Noel são apenas fantasias criadas para tornar nossa infância mais feliz. Em muitos casos, no entanto, só aceitamos a imposta realidade de que lindas fadas não passam de fantasia em fase adulta, já avançada.
Mas também é verdade, pasmem, que algumas mulheres, donas de mentes e emoções sensíveis além da conta, ainda crêem em magia de alguma forma, ainda que de um modo muito menos pejorativo; tal qual a fé no príncipe encantado, que mesmo em uma versão moderna e mais individualista, figura-nos como alguém que simplesmente se “encaixe”. E devo confessar, perdoe-me o trocadilho, que nesse grupo me encaixo.
Daí que nesses dias tive um daqueles sonhos com quais geralmente somos contemplados na infância ou, no mais tardar, no fim da adolescência, quando a sinestésica memória do primeiro beijo começa se tornar nada mais do que uma saborosa lembrança. De forma que, até agora, sinto o fervor do privilégio correr-me as veias de todo o corpo, culminando em uma gostosa sensação de alegria. Não me julgues piegas ao ler essas palavras antes de saber do sonho. Pode ser até que o considere demasiadamente pueril, mas vou e devo correr o risco. Corra-o comigo.
Eis que em uma noite dessas, quando me dei conta, percebi que tinha o poder de tornar belo tudo o que tocava. Assim, flores murchas vicejavam, tornando-se lindos buquês perfumados. Objetos rotos tornavam-se novos, atrativos e funcionais. Vendo tudo isso, felizmente, não me sentira como o famoso Midas que transformava em ouro tudo o que tocava, visto que por causa dessa façanha, também experimentara ele a dor por tornar inerte e sem vida aqueles que o cercavam.
Eu, pelo contrário, perdoem-me aqui os beatos de plantão pela oportuna analogia, sentia-me, de certa forma, como o Criador no Gênesis que, ao fim de cada dia,via que aquilo que acabara de conceber era bom. Então, ao longo dos minutos, que nos sonhos se constituem horas, caminhando pela rua deparei-me com meninas a brincarem de pular elástico. Nota: Incrível como nos meus sonhos eu sempre consigo ser tão ruim nessa engenhosa brincadeira como era na infância. Mas essa é outra história, que certamente daria um conteúdo para outro post.
Após o lúdico fracasso, uma das meninas aproximou-se de mim e, de forma angelical e estranhamente íntima, contou-me suas aflições. Com um ar de pedido, disse-me ela estar preocupada com o pai desempregado. Em suas palavras quase súplicas, relatou-me que seu maior desejo era que seu progenitor encontrasse trabalho.
Como se não bastasse dar forma e vida nova às coisas e plantas, sempre movida pela certeza de que tudo dependia única e exclusivamente de minha força de vontade, segurei as mãos da encantadora criança, real e autêntica como a filha que um dia quero ter, e pedi que não se preocupasse. E com a força do meu pensamento desejei, com toda a fé que possuía naquele instante, que seu pai arranjasse emprego. Segundos depois surgiu ele contente, comemorando o fato de estar em atividade remunerada.
Além de feliz, senti-me como se tivesse concluído, com brilhante êxito, a mais importante e significativa tarefa daquela noite. Fechara-a, por certo, com chave de ouro, por conseguir levar alívio e felicidade à saudosa menina. Sim, ela me deixara saudade. Tanto que, após alguns dias, ainda procuro seu rosto em cada criança conhecida ou que eventualmente aparece em meu caminho.
Missão cumprida, sonho findo. Como num conto de fadas, ao abrir os olhos estava em minha cama, acordada e feliz, mesmo após perceber que tudo não passara de um lindo sonho. Ao me dar conta de que os poderes mágicos foram tão somente fruto de uma mente que, à luz da ciência, trabalhara para que meu corpo tivesse descanso, curiosamente, o sentimento que reinava em meu coração não era de desapontamento, mas de alegria. A mesma alegria sentida por alguém que, no nosso plano de existência, esse no qual nos julgamos acordados, contenta-se por ter realizado tantas maravilhas.
Em meio às minhas elucubrações, esfuziantes como a borboleta de Lao Tsé – que o irreverente Raul docemente cantou –, ao invés de tristeza por saber que sonhara, senti-me feliz por ter feito, em tão pouco tempo, tantas coisas boas e belas, ainda que enquanto dormia.
Bruxa, fada ou outro ser mitologicamente semelhante representam nosso desejo mais íntimo de poder realizar coisas maravilhosas com um simples toque de uma vara mágica, munidos, é claro, pela inabalável crença no poder do pensamento. Esse desejo nos segue anos a fora e, em muitos casos, só vem a nos abandonar muito tempo depois da certeza de que Coelhinho da Páscoa e Papai Noel são apenas fantasias criadas para tornar nossa infância mais feliz. Em muitos casos, no entanto, só aceitamos a imposta realidade de que lindas fadas não passam de fantasia em fase adulta, já avançada.
Mas também é verdade, pasmem, que algumas mulheres, donas de mentes e emoções sensíveis além da conta, ainda crêem em magia de alguma forma, ainda que de um modo muito menos pejorativo; tal qual a fé no príncipe encantado, que mesmo em uma versão moderna e mais individualista, figura-nos como alguém que simplesmente se “encaixe”. E devo confessar, perdoe-me o trocadilho, que nesse grupo me encaixo.
Daí que nesses dias tive um daqueles sonhos com quais geralmente somos contemplados na infância ou, no mais tardar, no fim da adolescência, quando a sinestésica memória do primeiro beijo começa se tornar nada mais do que uma saborosa lembrança. De forma que, até agora, sinto o fervor do privilégio correr-me as veias de todo o corpo, culminando em uma gostosa sensação de alegria. Não me julgues piegas ao ler essas palavras antes de saber do sonho. Pode ser até que o considere demasiadamente pueril, mas vou e devo correr o risco. Corra-o comigo.
Eis que em uma noite dessas, quando me dei conta, percebi que tinha o poder de tornar belo tudo o que tocava. Assim, flores murchas vicejavam, tornando-se lindos buquês perfumados. Objetos rotos tornavam-se novos, atrativos e funcionais. Vendo tudo isso, felizmente, não me sentira como o famoso Midas que transformava em ouro tudo o que tocava, visto que por causa dessa façanha, também experimentara ele a dor por tornar inerte e sem vida aqueles que o cercavam.
Eu, pelo contrário, perdoem-me aqui os beatos de plantão pela oportuna analogia, sentia-me, de certa forma, como o Criador no Gênesis que, ao fim de cada dia,via que aquilo que acabara de conceber era bom. Então, ao longo dos minutos, que nos sonhos se constituem horas, caminhando pela rua deparei-me com meninas a brincarem de pular elástico. Nota: Incrível como nos meus sonhos eu sempre consigo ser tão ruim nessa engenhosa brincadeira como era na infância. Mas essa é outra história, que certamente daria um conteúdo para outro post.
Após o lúdico fracasso, uma das meninas aproximou-se de mim e, de forma angelical e estranhamente íntima, contou-me suas aflições. Com um ar de pedido, disse-me ela estar preocupada com o pai desempregado. Em suas palavras quase súplicas, relatou-me que seu maior desejo era que seu progenitor encontrasse trabalho.
Como se não bastasse dar forma e vida nova às coisas e plantas, sempre movida pela certeza de que tudo dependia única e exclusivamente de minha força de vontade, segurei as mãos da encantadora criança, real e autêntica como a filha que um dia quero ter, e pedi que não se preocupasse. E com a força do meu pensamento desejei, com toda a fé que possuía naquele instante, que seu pai arranjasse emprego. Segundos depois surgiu ele contente, comemorando o fato de estar em atividade remunerada.
Além de feliz, senti-me como se tivesse concluído, com brilhante êxito, a mais importante e significativa tarefa daquela noite. Fechara-a, por certo, com chave de ouro, por conseguir levar alívio e felicidade à saudosa menina. Sim, ela me deixara saudade. Tanto que, após alguns dias, ainda procuro seu rosto em cada criança conhecida ou que eventualmente aparece em meu caminho.
Missão cumprida, sonho findo. Como num conto de fadas, ao abrir os olhos estava em minha cama, acordada e feliz, mesmo após perceber que tudo não passara de um lindo sonho. Ao me dar conta de que os poderes mágicos foram tão somente fruto de uma mente que, à luz da ciência, trabalhara para que meu corpo tivesse descanso, curiosamente, o sentimento que reinava em meu coração não era de desapontamento, mas de alegria. A mesma alegria sentida por alguém que, no nosso plano de existência, esse no qual nos julgamos acordados, contenta-se por ter realizado tantas maravilhas.
Em meio às minhas elucubrações, esfuziantes como a borboleta de Lao Tsé – que o irreverente Raul docemente cantou –, ao invés de tristeza por saber que sonhara, senti-me feliz por ter feito, em tão pouco tempo, tantas coisas boas e belas, ainda que enquanto dormia.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
O retrato da amizade
Dizem que a verdadeira sabedoria de um ser humano está em saber ouvir o próprio coração. Seja em momentos de angústia, dúvidas ou de fortes desentendimentos, quando tudo parece se desmanchar em um caos sem fim, lá estão nossas emoções tentando entrarem em consenso com nossa mente, para resolverem o emaranhado de ideias que parecem prestes a dissolverem nossa lucidez. E é curioso constatar, lá na frente, como as primeiras impressões que temos, sempre fruto daquilo que sentimos, acabam sendo confirmadas quando, finalmente, a ordem consegue surgir com a luz que aos poucos se fortalece, até dissipar a temida escuridão.
Ocorre que, nos últimos dias, a triste sensação de acreditar que teria me enganado em meu imenso amor por uma querida amiga, havia-me feito perder algumas preciosas gramas do que compõem minha imensa alegria de viver. Sempre soube que a amava. Mas a dor de achar que todo o carinho e atenção a ela dispensados, ao longo de, sei lá, sete anos, poderiam ter sido em vão, fizeram-me mergulhar em uma angústia que, aos poucos, me consumia num triste e desolador vazio, ainda que me julgasse em pleno vigor.
No entanto, em meio às várias lágrimas choradas, alimentadas pela imensa dor que me latejava o peito, flashes de sentidos me davam a sensação de que meu coração não errara. E deste coração, que tanto já chorou pelos dissabores de amores mal resolvidos, nasciam tímidos lampejos de lucidez, inseguros quanto a possibilidade de sempre ter sido correspondido, ainda que tais centelhas vestissem o puro véu da ingenuidade, com o qual se cobre uma criança que, no passageiro ápice da sabedoria humana, acredita, com todo o coração, que é o centro do mundo.
Mas sempre defendi a ideia de que a maior serventia de cada experiência que acumulamos em nossas vidas é o fato de poder colocá-las em prática em nosso dia a dia. E disso me encarrego todo o tempo. Pois, então, de que me adiantaria uma velhice cheia de inúmeras lembranças, sem que nunca houvesse realizado uma conquista que fosse, ao aplicar ao menos uma meia dúzia de ensinamentos adquiridos nessa minha rica e intensa existência.
Daí que decidi esperar que os dias se passassem assim, lentos, como uma mão maternal a embalar nossos sonos tenros. Nisso que rapidamente a dor passou, deixando somente a incompreensão a baliar no meio do ainda denso caos, ávido, por certo, para se tornar ordem no universo dos sentimentos.
Eis que, assim, como surgem os acontecimentos pelos quais tão cedo esperamos, chegou a hora e a vez do aguardado encontro. Veio-nos ele derradeiro e certo, como só o momento da morte o consegue ser. Vencidos os contratempos, vimo-nos em meio às palavras ditas em verdades sóbrias, seguras e sinceras, quase como súplicas pelo fim de um tormento. Mostram-se elas amigas do puro e do belo, como se revela o retrato de uma verdadeira amizade; pois só ela, em sua verve, é capaz de mostrar ao mundo que só quem tem amigos de verdade conhece o amor em sua plenitude.
Ao me deparar com a Bella amiga, que não somente aos olhos encanta, os sentidos riram-se todos, enternecidos a clamar pelo mais saboroso dos abraços: aquele que surge com o antídoto para curar uma grande saudade. Dali em diante, reinou absoluta toda a certeza de que cada entendimento desajuizado fora tão somente alimentado pelo bastardo mal entendido, esse filho da ausência do diálogo com o substantivo de alguma lamentável coincidência.
Naqueles mágicos e lindos instantes a clareza das ideias, que nasciam de uma prosa quase iluminista, fizeram dissipar todas as sombras das incertezas e despiram um céu que nos abraçava límpido e contente, como se estivesse sobre um jardim na primavera, contemplado pela magia de duas únicas flores, suficientes, entretanto, para espelhar pelos ares o doce e envolvente aroma da felicidade.
Parecia mais linda minha amiga, naqueles instantes, talvez pela imensa felicidade que atualmente vive em sua vida. Eu, por outro lado, experimentava o gosto amargo do fel da culpa por permitir que, por longos e árduos dias, a imagem daquela que sempre surgia como um sol em meio às fortes tempestades, se perdesse nas razões desconexas da incerteza de seu sóbrio caráter. Mas a alegria de rever aqueles olhos brilhantes, que sempre foram capazes de, despretensiosamente, anular as fugazes dores que inadvertida e ocasionalmente me invadem o peito, fez-me sentir, mais uma vez, o prazer de poder dizer a meu irriquieto coração aquilo que levava minha mente a não parar de comemorar: "Sim, sempre foras correspondido!"
Agora, com a volta triunfante da certeza da permanência dessa grande beleza em minha vida, consegui ser perdoada pelo justo e, às vezes, impiedoso martelo de minha consciência, e permito-me seguir meu caminho mais madura para viver por inteiro as alegrias da reciprocidade. Porque, de hoje em diante creio, mais do que nunca, que o verdadeiro amor sempre poderá ser visto no retrato de uma linda amizade; esse que mão nenhuma, por mais forte e cruel que se apresente, terá poder suficiente para fazê-lo em pedaços.
Ocorre que, nos últimos dias, a triste sensação de acreditar que teria me enganado em meu imenso amor por uma querida amiga, havia-me feito perder algumas preciosas gramas do que compõem minha imensa alegria de viver. Sempre soube que a amava. Mas a dor de achar que todo o carinho e atenção a ela dispensados, ao longo de, sei lá, sete anos, poderiam ter sido em vão, fizeram-me mergulhar em uma angústia que, aos poucos, me consumia num triste e desolador vazio, ainda que me julgasse em pleno vigor.
No entanto, em meio às várias lágrimas choradas, alimentadas pela imensa dor que me latejava o peito, flashes de sentidos me davam a sensação de que meu coração não errara. E deste coração, que tanto já chorou pelos dissabores de amores mal resolvidos, nasciam tímidos lampejos de lucidez, inseguros quanto a possibilidade de sempre ter sido correspondido, ainda que tais centelhas vestissem o puro véu da ingenuidade, com o qual se cobre uma criança que, no passageiro ápice da sabedoria humana, acredita, com todo o coração, que é o centro do mundo.
Mas sempre defendi a ideia de que a maior serventia de cada experiência que acumulamos em nossas vidas é o fato de poder colocá-las em prática em nosso dia a dia. E disso me encarrego todo o tempo. Pois, então, de que me adiantaria uma velhice cheia de inúmeras lembranças, sem que nunca houvesse realizado uma conquista que fosse, ao aplicar ao menos uma meia dúzia de ensinamentos adquiridos nessa minha rica e intensa existência.
Daí que decidi esperar que os dias se passassem assim, lentos, como uma mão maternal a embalar nossos sonos tenros. Nisso que rapidamente a dor passou, deixando somente a incompreensão a baliar no meio do ainda denso caos, ávido, por certo, para se tornar ordem no universo dos sentimentos.
Eis que, assim, como surgem os acontecimentos pelos quais tão cedo esperamos, chegou a hora e a vez do aguardado encontro. Veio-nos ele derradeiro e certo, como só o momento da morte o consegue ser. Vencidos os contratempos, vimo-nos em meio às palavras ditas em verdades sóbrias, seguras e sinceras, quase como súplicas pelo fim de um tormento. Mostram-se elas amigas do puro e do belo, como se revela o retrato de uma verdadeira amizade; pois só ela, em sua verve, é capaz de mostrar ao mundo que só quem tem amigos de verdade conhece o amor em sua plenitude.
Ao me deparar com a Bella amiga, que não somente aos olhos encanta, os sentidos riram-se todos, enternecidos a clamar pelo mais saboroso dos abraços: aquele que surge com o antídoto para curar uma grande saudade. Dali em diante, reinou absoluta toda a certeza de que cada entendimento desajuizado fora tão somente alimentado pelo bastardo mal entendido, esse filho da ausência do diálogo com o substantivo de alguma lamentável coincidência.
Naqueles mágicos e lindos instantes a clareza das ideias, que nasciam de uma prosa quase iluminista, fizeram dissipar todas as sombras das incertezas e despiram um céu que nos abraçava límpido e contente, como se estivesse sobre um jardim na primavera, contemplado pela magia de duas únicas flores, suficientes, entretanto, para espelhar pelos ares o doce e envolvente aroma da felicidade.
Parecia mais linda minha amiga, naqueles instantes, talvez pela imensa felicidade que atualmente vive em sua vida. Eu, por outro lado, experimentava o gosto amargo do fel da culpa por permitir que, por longos e árduos dias, a imagem daquela que sempre surgia como um sol em meio às fortes tempestades, se perdesse nas razões desconexas da incerteza de seu sóbrio caráter. Mas a alegria de rever aqueles olhos brilhantes, que sempre foram capazes de, despretensiosamente, anular as fugazes dores que inadvertida e ocasionalmente me invadem o peito, fez-me sentir, mais uma vez, o prazer de poder dizer a meu irriquieto coração aquilo que levava minha mente a não parar de comemorar: "Sim, sempre foras correspondido!"
Agora, com a volta triunfante da certeza da permanência dessa grande beleza em minha vida, consegui ser perdoada pelo justo e, às vezes, impiedoso martelo de minha consciência, e permito-me seguir meu caminho mais madura para viver por inteiro as alegrias da reciprocidade. Porque, de hoje em diante creio, mais do que nunca, que o verdadeiro amor sempre poderá ser visto no retrato de uma linda amizade; esse que mão nenhuma, por mais forte e cruel que se apresente, terá poder suficiente para fazê-lo em pedaços.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Eterno começo
Assim surgem as grandes ideias: uma maçã que nos cai na cabeça, uma brisa suave que nos acaricia a face, uma folha que de velha flutua até o chão, uma frase dita do nada... E surge, então, a teoria da relatividade. E basta que um simples, porém atento golpe de vista, ou que qualquer um de nossos sentidos captem momentos como esses para que grandes invenções sejam registradas, carimbadas e rotuladas para ganhar vida própria no senso comum. Pronto, primeiro plágio. Saiba, daqui para frente, que se fores acompanhar esse ainda despretensioso blog, encontrarás inúmeras referências àqueles que carinhosamente chamo de mestres. Estreia, nessas linhas um displicente trocadilho com a lúdica canção “Plunct Plact Zum” do irreverente e inesquecível Raul Seixas.
Voltando ao que interessa, ocorre que em uma rotineira reunião de trabalho, na qual feliz e eventualmente aconteceu uma pequena pausa para elucubrações, eu solto um despretensioso “Sócrates que o diga!”, dito ao finalizar uma colocação acerca do que, nem com muito esforço, consigo me recordar. Pronunciada a enfática frase, não é que meu chefe, a quem eu já havia falado sobre minha adiada vontade de criar um blog, levanta-se inesperadamente da cadeira e deixa a sala, para a qual ele retorna, de forma mais inesperada ainda, com o computador nas mãos, cheio de instruções.
“Entra nesse site!”, ordenou-me ele. Obediente, com um clique após outro, escrevi, marquei, desmarquei, confirmei e, poucos minutos depois, estava pronta esta página, na qual discorrem estas frases ainda meio desnorteadas. Desse ato de despretensiosa criação, surgiu este blog, com nome e tudo... Esse, que surgiu de uma ideia solta, cuja pretensão era única e exclusivamente demonstrar a intenção desta simples jornalista em comparar seus pensamentos aos do grandioso filósofo ateniense, o maior, em minha modestíssima opinião.
Bem, muitos dias depois, obrigo-me a escrever o primeiro texto a ser publicado no meu tão sonhado blog. Tá, você deve estar se questionando quanto ao porquê de tanto esmero, já que todo mundo tem blog hoje em dia. Pois eis aí o grande “y” da questão. Nota: sempre achei essa letra mais enigmática que o “x”. E convenhamos: nas equações matemáticas a presença do “y” era sempre aquela que literalmente fazia a gente pensar: “Como é que eu vou resolver essa p$%#@”. Enfim, como se não bastasse ser difícil a tarefa de escrever em uma página que menciona um dos maiores gênios de todos os tempos, ainda tinha eu que vencer minha recorrente preocupação em não fazer mais do mesmo.
Daí que, seguindo o conselho desse mesmo chefe, cujo primeiro texto de seu blog serviu-me de grande inspiração para o adiado começo, convenço-me de que, em determinadas circunstâncias, o perigo de esperar até conseguir criar algo novo nos remete, inadvertidamente, ao desnecessário risco de chegar a lugar nenhum, se desprezamos, por excesso de preciosismo, o caminho pelo qual tantos percorrem para chegarem onde querem, não importa o destino que almejem.
Conselhos seguidos e apelos amigáveis atendidos, decido-me por escrever sobre o que gosto de falar. Desta forma, dou vida a esta página com a resumida história que explica o nome deste blog que, por sua vez, se constitui sua gênese. Nesse ponto de partida, a única coisa da qual estou certa é que, no afã de expressar opiniões e pensamentos próprios, a melhor tática é não se preocupar com a linha, mas deixar que as palavras fluam livres, guiadas pelo pensamento e pelo coração. Pois, aqui, relato minhas experiências de vida, na qual cada dia é um novo capítulo que escrevo, sem me preocupar com os próximos, pois dos amanhãs, só sei que vivo hoje um eterno começo.
Voltando ao que interessa, ocorre que em uma rotineira reunião de trabalho, na qual feliz e eventualmente aconteceu uma pequena pausa para elucubrações, eu solto um despretensioso “Sócrates que o diga!”, dito ao finalizar uma colocação acerca do que, nem com muito esforço, consigo me recordar. Pronunciada a enfática frase, não é que meu chefe, a quem eu já havia falado sobre minha adiada vontade de criar um blog, levanta-se inesperadamente da cadeira e deixa a sala, para a qual ele retorna, de forma mais inesperada ainda, com o computador nas mãos, cheio de instruções.
“Entra nesse site!”, ordenou-me ele. Obediente, com um clique após outro, escrevi, marquei, desmarquei, confirmei e, poucos minutos depois, estava pronta esta página, na qual discorrem estas frases ainda meio desnorteadas. Desse ato de despretensiosa criação, surgiu este blog, com nome e tudo... Esse, que surgiu de uma ideia solta, cuja pretensão era única e exclusivamente demonstrar a intenção desta simples jornalista em comparar seus pensamentos aos do grandioso filósofo ateniense, o maior, em minha modestíssima opinião.
Bem, muitos dias depois, obrigo-me a escrever o primeiro texto a ser publicado no meu tão sonhado blog. Tá, você deve estar se questionando quanto ao porquê de tanto esmero, já que todo mundo tem blog hoje em dia. Pois eis aí o grande “y” da questão. Nota: sempre achei essa letra mais enigmática que o “x”. E convenhamos: nas equações matemáticas a presença do “y” era sempre aquela que literalmente fazia a gente pensar: “Como é que eu vou resolver essa p$%#@”. Enfim, como se não bastasse ser difícil a tarefa de escrever em uma página que menciona um dos maiores gênios de todos os tempos, ainda tinha eu que vencer minha recorrente preocupação em não fazer mais do mesmo.
Daí que, seguindo o conselho desse mesmo chefe, cujo primeiro texto de seu blog serviu-me de grande inspiração para o adiado começo, convenço-me de que, em determinadas circunstâncias, o perigo de esperar até conseguir criar algo novo nos remete, inadvertidamente, ao desnecessário risco de chegar a lugar nenhum, se desprezamos, por excesso de preciosismo, o caminho pelo qual tantos percorrem para chegarem onde querem, não importa o destino que almejem.
Conselhos seguidos e apelos amigáveis atendidos, decido-me por escrever sobre o que gosto de falar. Desta forma, dou vida a esta página com a resumida história que explica o nome deste blog que, por sua vez, se constitui sua gênese. Nesse ponto de partida, a única coisa da qual estou certa é que, no afã de expressar opiniões e pensamentos próprios, a melhor tática é não se preocupar com a linha, mas deixar que as palavras fluam livres, guiadas pelo pensamento e pelo coração. Pois, aqui, relato minhas experiências de vida, na qual cada dia é um novo capítulo que escrevo, sem me preocupar com os próximos, pois dos amanhãs, só sei que vivo hoje um eterno começo.
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